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20 de agosto de 2017
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A osteoporose e as fraturas vertebrais por compressão

Mesh Innport Cifoplastia

MESH

De acordo com dados da International Osteoporosis Foundation (IOF), a doença é responsável por mais de 9 milhões de fraturas por ano no mundo, sendo uma a cada três segundos. O fato é que a maior parte das pessoas apenas descobre que tem osteoporose quando se depara com uma fratura óssea, como o colapso de uma vértebra. Neste caso, os sintomas podem variar de uma simples dor nas costas, à perda de altura e cifose (curvatura da coluna vertebral que causa deformidade).

Dados Brasileiros

No Brasil, estudos da The Latin-American Vertebral Osteoporosis Study (LAVOS) que reuniram 415 indivíduos, demonstraram uma prevalência geral para fratura das vértebras em mulheres com 50 anos ou mais de 14,2%. Uma taxa de 25% foi observada na população com 80 anos ou mais. Considerando que a população estimada de mulheres com 50 anos ou mais no Brasil seja de 21 milhões, 2,9 milhões dessas mulheres poderiam estar vivendo com fraturas vertebrais osteoporóticas.

Fraturas Vertebrais

Das fraturas vertebrais por compressão (VCF), estima-se que 85% são resultantes de osteoporose. Esse tipo de fratura normalmente acontece no meio da coluna vertebral, entre as vértebras torácicas T11-T12 e a lombar L1. Como consequência de uma VCF, a forma e resistência da coluna podem sofrer alterações permanentes. Sem o tratamento adequado, uma fratura vertebral pode consolidar-se em uma posição prejudicial, gerando riscos para a coluna espinhal a longo prazo.

Por isso, o diagnóstico e a intervenção precoces evitam o comprometimento neurológico e funcional do paciente, bem como uma lesão cardiopulmonar. As opções de tratamento vão dos chamados Tratamentos ou Terapias Conservadoras, que incluem medicações analgésicas, redução no nível de atividade, órteses e fisioterapia, até procedimentos cirúrgicos, como último recurso, para os casos em que o tratamento conservador é inócuo.

Tratamentos e Técnicas

A Vertebroplastia, uma das técnicas mais populares para tratamento da dor e estabilização da coluna, foi criada nos anos 1980 e é utilizada até hoje para tratar VCF. Nos anos 90, a técnica evoluiu para a chamada Cifoplastia, que confere mais segurança aos pacientes e melhores resultados cirúrgicos.

As duas técnicas destinam-se a corrigir a deformidade e restaurar a altura do corpo vertebral através de injeção de cimento ósseo. A diferença entre elas reside no fato de que na Cifoplastia utiliza-se de um instrumento cirúrgico específico cuja extremidade é inflada como um balão, o que auxilia na restauração da altura do corpo vertebral. Após remoção do balão, preenche-se a cavidade remanescente com cimento ósseo. A cânula com expansor MESH, por sua vez, é a mais nova técnica utilizada para tratamento de VCF, oferecendo riscos ainda menores e resultados ainda melhores aos pacientes que a própria cifoplastia.

Nessa técnica, o cimento ósseo ao invés de ser injetado diretamente dentro da cavidade do corpo vertebral danificado, é injetado dentro de um dispositivo de contenção que infla até que atinja as paredes da cavidade vertebral e, consequentemente, a pressão adequada para restabelecimento da altura do corpo vertebral, evitando ao máximo o extravasamento de cimento ósseo, e tornando o procedimento bastante seguro ao paciente.

Felizmente, a osteoporose é uma doença que pode ser evitada através de hábitos saudáveis, dieta balanceada e prática de exercícios físicos regulares. Além disso, é essencial estar sempre atento aos sinais que o corpo emite, e diante de qualquer anormalidade procurar atendimento médico adequado o mais rápido possível.

BIBLIOGRAFIA
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